Casos de superbactérias no DF e em SP exigem cuidados da população e de profissionais de saúde

A bactéria Klebsiella pneumoniae carbapenemases (KPC) – também chamada de superbactéria por ser resistente a quase todos os antibióticos disponíveis – já infectou ao menos 163 pessoas no país e causou 15 mortes. Ainda que ela ataque principalmente pacientes em condições graves de saúde - e embora o risco de uma pessoa saudável se infectar seja muito baixo - médicos infectologistas afirmam que é importante tomar medidas de prevenção para evitar a disseminação do micróbio.

De acordo com Isabela Rodrigues, coordenadora do serviço de controle de infecção do HUB (Hospital Universitário de Brasília), bactérias multirresistentes já são uma realidade do ambiente hospitalar. O uso abusivo de antibióticos é o que faz com que elas se tornem cada vez mais resistentes.

No caso específico da KPC, o que preocupa os especialistas é que essa bactéria tem mais facilidade de se disseminar do que as outras. Além disso, Isabela afirma que esse micróbio criou um mecanismo que limita o seu tratamento.

- Hoje só existem três antibióticos para tratar [a KPC], e sua eficácia não é 100%. Com menos opções, os pacientes ficam com menos oportunidade de cura.

A falta de algumas medidas de prevenção também explica a origem das bactérias multirresistentes. De acordo com a especialista, más práticas hospitalares, como a não higienização de mãos pelos profissionais de saúde, contribuíram para a proliferação da KPC.

Para evitar mais casos, os hospitais tomam algumas medidas básicas, como isolamento de pacientes infectados ou suspeitos de infecção, montar equipes específicas para atender os pacientes isolados, além de cuidados extras, como uso de máscaras e aventais descartáveis em cada atendimento.

Apesar de o alvo principal das bactérias multirresistentes serem as pessoas que já têm a saúde debilitada, que estão em tratamento com antibióticos ou que são submetidas a procedimentos que agridem o organismo, como cirurgias, elas também pode afetar pacientes que não estão com a saúde debilitada – assim como infectar os profissionais de saúde e os visitantes dos hospitais.

A chance de isso acontecer, no entanto, é muito pequena, segundo o professor de infectologia da Faculdade de Medicina da Unesp (Universidade Estadual Paulista), Carlos Magno Fortaleza.

- Essa bactéria preocupa porque começou a se disseminar de forma importante, reduzindo as opções de tratamento. Mas isso não significa que uma pessoa que tem boa saúde, que não está tomando antibióticos nem passando por procedimentos invasivos, não quer dizer que essas pessoas corram riscos.

Mesmo assim, além dos cuidados que os profissionais de saúde e os hospitais precisam tomar, os visitantes e acompanhantes também precisam se prevenir.

Segundo o infectologista Érico Arruda, vice-presidente da SBI (Sociedade Brasileira de Infectologia), os visitantes também precisam lavar bem as mãos logo após tocar em superfícies do hospital

- Na prática, logo após sair da unidade que visitou e ao sair definitivamente do hospital. E evitar tocar desnecessariamente no paciente e nas superfícies do ambiente [macas, portas, trincos, camas, paredes etc].
Medidas de prevenção para evitar o contágio pela superbactéria
População Hospitais e profissionais de saúde
. Evite o contato direto com pacientes infectados . Isolamento dos pacientes infectados ou suspeitos de infecção
. Lave as mãos antes e depois de ter contato com pacientes infectados . Para entrar em contato com os pacientes isolados, uso de equipamentos de proteção individual, como avental e luvas descartáveis
. Não abuse de antibióticos; tome com orientação médica . Higienização das mãos antes e depois de contato com qualquer paciente
. Evite tocar as superfícies hospitalares, como camas, portas e paredes . Esterilizar adequadamente os instrumentos médicos

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