Arquipélago da Flórida premia quem pescar mais peixe-leão invasor

Em 13 de novembro, 18 equipes de mergulhadores, armados com redes ou arpões ficaram do amanhecer ao pôr-do-sol tentando matar o máximo possível de peixes-leão, na esperança de dividir os US$ 3.350 do prêmio de uma recém-criada competição de pesca do peixe-leão, no arquipélago de Florida Keys, nos Estados Unidos.

O peixe-leão tem extravagantes nadadeiras zebradas e, embora muito bonito, seu apetite é voraz – pesquisdores locais já encontraram mais de 50 espécies de peixes no estômago de indivíduos capturados. Nativo do Oceano Indo-Pacífico e do Mar Vermelho, este peixe não possui predadores conhecidos. Acredita-se que tenha sido libertado por donos de aquários de peixe ornamentais durante a década de 1990, e desde então subiu pela costa leste dos Estados Unidos para a Carolina do Norte e através do Caribe.

Competições como esta são uma forma de autoridades e cientistas chamarem atenção para os danos que podem ser causados por esse peixe faminto e de rápida procriação. Eles tentam controlar sua expansão que tem sido tão rápida em Florida Keys. O primeiro peixe foi descoberto em setembro de 2009, quando uma única fêmea foi encontrada e imediatamente removida por cientistas de um recife em Key Largo. Hoje o peixe-leão vive em quantidade suficiente na região para competir entre si.

“Estamos apavorados”, diz Dave Walton, administrador do Parque Nacional de Dry Tortugas, um grupo de ilhas e reserva ecológica 60 milhas a oeste de Key West, onde os peixes apareceram pela primeira vez.

Se o impacto dos peixes-leão em outras partes do Caribe servirem como guia, Walton está certos em estar preocupado. É um predador temido, que pode devastar populações de peixes onde estiver, incluindo espécies comercialmente importantes, como a garoupa. O peixe também se alimenta de filhotes de peixe-papagaio, que come algas e impede que elas cresçam demais, matando corais.

Se o sistema de recifes ficar livre de outras espécies de peixes graças ao apetite do peixe-leão, o impacto pode ser devastador à economia da região, que depende fortemente da pesca comercial e do mergulho recreativo. É como ir a uma reserva florestal e só ver árvores.

Cientistas dizem que o peixe pode produzir 30 mil ovos numa única desova, e consegue desovar até uma vez a cada quatro dias. “Isso significa que estamos olhando a uma produtividade anual de dois milhões de ovos por fêmea”, disse Lad Akins, pesquisador e diretor de operações da Fundação da Educação Ambiental de Recifes, ou REEF (do nome em inglês). Apesar do grande esforço das 18 equipes no concurso de Lower Keys, apenas 109 peixes foram mortos, somando-se aos 500 peixes-leão mortos nos dois concursos anteriores – em Key Largo, em setembro, e em Marathon, em outubro.

Uma possível solução é promover o peixe como alimento de outro voraz predador: o homem. O peixe-leão é considerado um prato excelente. De fato, depois da competição de pesca local, os participantes fizeram um banquete de peixes-leão fritos. “O gosto é muito parecido com o do bodião”, disse Dugan, dos Lion Hunters. “Eles são muito gostosos”.

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