'Estamos sem luz e sem água', diz morador da Vila Cruzeiro

Há dois dias, o técnico em refrigeração Alvernir Damião, de 31 anos, não dorme em casa. Nascido e criado na Favela Vila Cruzeiro, na Penha, Zona Norte do Rio de Janeiro, ele disse neste sábado (27) que tem pedido abrigo na casa de um parente em Olaria, na mesma região.

“Estamos sem luz e sem água”, contou ele nesta tarde. “Venho em casa de vez em quando para ver como estão as coisas e volto para Olaria. Tenho medo de dormir aqui”, completou ele, no portão de sua residência, que fica em um dois principais acessos à comunidade.

A Vila Cruzeiro, assim como o Conjunto de Favelas do Alemão, ali perto, tem sido alvo constante das operações da polícia do Rio, que, para prender traficantes, conta com a ajuda do Exército e da Marinha. Nos confrontos, transformadores foram destruídos, deixando parte da favela sem energia elétrica. Segundo Bianca Thomaka, coordenadora de operações da Light na área da Penha, a falta de luz prejudicou cerca de 9 mil pessoas.

Na tarde deste sábado, equipes da Light consertavam a fiação, trocavam cabos e postes. A coordenadora informou que, até as 16h de sábado, 70% da luz já tinha voltado para moradores e comerciantes e a expectativa era regularizar todo o sistema no domingo. “A gente tem que dividir o espaço com o tanque (blindado da Marinha), com a polícia. Demora um pouco”, admitiu ela.

Damião contou que a falta de eletricidade faz com que muitas pessoas fiquem sem água. “Precisamos da luz para ligar a bomba da caixa d´água. Tudo o que eu tenho na geladeira está podre”, afirmou ele, que disse ter ficado sem energia desde quinta (25). Por meio de sua assessoria de imprensa, a Cedae, responsável pelo fornecimento de água, informou que não houve registros de problemas de abastecimento na Vila Cruzeiro.

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