Camelôs obrigam comércio a fechar portas no Brás

Os camelôs da região da Feira da Madrugada, no Brás, na região central de São Paulo, obrigaram os donos de lojas a fecharem suas portas durante protesto por volta das 8h15 desta terça-feira (25). Os poucos comerciantes que abriram suas portas ouviram gritos de "fecha" durante a passagem da manifestação dos vendedores ambulantes. Eles chegaram a avançar em um homem que resistiu em fechar seu estabelecimento. Uma pessoa foi detida e levada para o 12º DP, no Pari.

Por volta das 9h, os manifestantes se sentaram no chão no cruzamento da Avenida do Estado com a Rua São Caetano, impedindo o fluxo de veículos nos dois sentidos da via. Às 9h30, eles liberaram a circulação de veículos após serem convidados para uma reunião na Prefeitura de São Paulo, no Viaduto do Chá, no Centro. Segundo o presidente do Sindicato dos Camelôs Independentes de São Paulo, Leandro Dantas, cinco representantes irão se encontrar ainda nesta manhã com o subprefeito da Mooca. Enquanto isso, os camelôs continuarão concentrados na Rua Oriente.

A Polícia Militar reabriu por volta das 7h10 desta terça a Feira da Madrugada, no Brás, na região central de São Paulo. Durante esta madrugada, camelôs protestaram contra uma operação de fiscalização da Prefeitura, realizada nesta segunda (24). Segundo a Polícia Militar (PM), houve vandalismo na Rua Oriente, no Brás.

No início desta manhã, a situação era tensa no local. A Tropa de Choque da Polícia Militar estava posicionada. Ambulantes ocupavam a Rua Oriente, próximo ao cruzamento com a Rua Rodrigues dos Santos. Eles se sentaram no chão, impedindo a passagem de veículos. A manifestação era pacífica no horário. Em seguida, eles seguiram em protesto pelas ruas do bairro.

Apesar da reabertura da feira, o movimento era fraco, com poucos clientes. Só estava sendo permitida a entrada de comerciantes que receberam autorização da Prefeitura. Todos eram revistados pela PM.

Segundo Dantas, a confusão começou quando a Polícia Militar impediu o “direito de ir e vir" dos ambulantes durante a madrugada. Os manifestantes querem, segundo Danta, voltar a trabalhar nas ruas do bairro. "São dez ruas da região com trabalhadores, são 7 mil barracas só do lado de fora. Eles não nos dão alternativa de trabalho. Lá dentro [no galpão da Feira da Madrugada] eles estão sofrendo também. Seria uma alternativa de trabalho para a gente, mas também estão fechando”, diz Dantas. O grupo de ambulantes deverá permanecer durante todo o dia na Rua Oriente. O objetivo é manter manifestação de forma pacífica até uma resposta da Prefeitura de São Paulo.

De acordo com o major da PM Wagner Rodrigues, que comanda a operação, o protesto ocorre de forma pacífica. "A PM está fazendo o cumprimento da lei. Eles não possuem autorização para comércio na via pública. Eles têm que negociar junto à Prefeitura para que se enquadrem na legislação que trata disso”.

Ainda de acordo com o major, a polícia negocia com os manifestantes para que eles não forcem o fechamento das lojas. Entretanto, muitos comerciantes optaram por não abrir os estabelecimentos nesta terça-feira dado o clima de tensão no Brás.

MadrugadaDe acordo com a PM, os camelôs atearam fogo em um carro e jogaram objetos em direção aos policiais. Os camelôs se revoltaram após serem impedidos de trabalhar na região da Feira da Madrugada – todas as noites ocorre a Operação Delegada na região, feita pela PM e pela Prefeitura. Policiais informaram que receberam ordem da subprefeitura de não deixar os camelôs se instalarem nas ruas do bairro. Quando isso foi feito, começou a confusão.

Além do carro, um depósito também pegou fogo – segundo a polícia, há indícios de que o incêndio no galpão foi criminoso. A polícia usou bombas de efeito moral para dispersar os manifestantes e houve muita correria pela região. Não há informações de feridos ou detidos.

Consumidores disseram que faziam compras dentro do complexo da feira quando começou uma grande correria. A polícia fechou o local, que permanecia bloqueado no início desta manhã.

A expectativa é que os ambulantes façam um novo protesto ao longo da manhã desta terça-feira na Avenida do Estado.

A Feira da Madrugada ficou fechada por três semanas em agosto durante uma fiscalização da Prefeitura de São Paulo e foi reaberta no dia 27 de agosto. (Fonte: G1)

Manifestantes bloquearam o tráfego na Avenida do Estado (Foto: Juliana Cardilli/G1)

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