‘Eu faço parte de tudo isto aqui’, diz brasileiro no Japão

Desde que o terremoto seguido do tsunami atingiu a província de Fukushima, na última sexta-feira (11), os brasileiros Roberto Takahashi e a mulher, Ruth, só conseguiram entrar por poucos minutos dentro de casa.
Moradores de Korean- Shi, cidade localizada a 60 Km da usina de Fukushima, o casal teve de abandonar a residência e quase todos os pertences para fugir do vazamento de material radioativo. Na bagagem, apenas roupas, telefone, e as fotografias da família.

“Eu faço parte de tudo isto aqui. Moramos aqui desde 1990, nossa vida foi construída aqui. No momento, estou tão indeciso que não sei o que fazer, se devemos tentar ficar aqui ou voltar para o Brasil”, disse Takahashi à reportagem de um jornal, por telefone.

O casal Takahashi estava no grupo de 26 pessoas resgatadas pela missão do Consulado do Brasil em Tóquio, que retirou brasileiros das áreas afetadas pelo terremoto e tsunami no Japão na quarta-feira (16).

Depois da operação de resgate, sob o comando do empresário Walter Saito, os brasileiros foram instalados em apartamentos na Província de Saitama, a cerca de 200 Km da região onde fica a usina nuclear. Na primeira noite , Saito distribuiu sopa e arroz para os brasileiros. Takahashi, que trabalhava em uma padaria na região próxima a usina, ainda não sabe se poderá voltar à casa. Eles moram no Japão desde 1990.

“Quando cheguei no Japão, todos diziam que esta era a região mais segura que tinha. Sempre teve terremotos, mas desta vez foi terrível. Conseguimos, na correria, arrumar quatro malas com roupas e fotografias da família. Tiramos o que podemos porque não sabemos se vamos poder voltar para casa um dia”, disse o brasileiro.

Depois de passar uma noite no apartamento alugado pelo consulado, o casal se prepara para partir para a província de Sakado-Shi, onde mora um familiar. Takahashi e a mulher esperam ficar lá por um período, até conseguirem se organizar e saber se vão poder ou não voltar para a casa localizada próxima à usina. Ruth, bastante abalada, já pensa em voltar o quanto antes ao Brasil.

“Na minha opinião eu já contribui muito aqui. Sinceramente estou pensando em voltar o quanto antes para o Brasil. Mobília, casa, a gente compra de novo. O que importa é a vida”, disse Ruth.

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