Polícia Federal analisa suposta fraude do Enem; Ministério Público Federal quer anulação nacional do exame

A Polícia Federal já está fazendo levantamentos preliminares sobre a suposta fraude nas provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). A apuração foi confirmada ao Diário do Nordeste Online, na tarde desta quarta-feira (26), pelo Departamento de Polícia Federal (DPF) em Brasília. Já o Ministério Público Federal (MPF) quer a anulação do exame em todo o Brasil.

A acusação de fraude veio à tona mediante um possível vazamento de questões do exame para alunos do colégio Christus, em Fortaleza. O DPF confirmou ter sido acionado pelo Ministério da Educação (MEC) para a instauração de um inquérito policial sobre o caso.

De acordo com a Polícia Federal, o caso está em fase de levantamentos prévios até que haja a confirmação de fraude. "Estamos aguardando a papelada do MEC. Por enquanto estamos fazendo o levantamento prévio do caso. Não adiantam declarações em redes sociais sobre o assunto. Temos que esperar documentação oficial", disse ao Diário do Nordeste Online o DPF em Brasília.

Colégio deve cobrir gastos, diz o MEC
O MEC, por sua vez, diz que a possível remarcação de provas deve abranger somente os alunos do Christus - 639 pessoas, conforme informações preliminares. A nova data seria a mesma da aplicação do exame para os internos dos presídios e penitenciária: 28 e 29 de novembro - segunda e terça-feira.
Por cada aluno a refazer o exame, segundo o MEC, o colégio deve pagar no mínimo R$ 45 - em virtude da necessidade de cobrir os gastos.

MEC aguarda investigações da Polícia Federal
O ministério aguarda, também, o resultado das investigações da Polícia Federal antes de falar sobre medidas a serem tomadas contra os possíveis responsáveis pelo caso. "Se for comprovado que o colégio agiu intencionalmente nós vamos processar a instituição", afirma a assessoria da pasta.

Ministério Público pede anulação de todo o Enem
O procurador Oscar Costa Filho, do Ministério Público Federal (MPF) no Ceará, propõe que o exame seja anulado para todos os alunos que fizeram as provas no último fim de semana, em todo o Brasil, ou que as 13 questões possivelmente vazadas sejam canceladas. Segundo ele, o órgão encaminhou esta recomendação ao MEC.

De acordo com Oscar, também foi encaminhada nesta quarta-feira ao Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) uma notificação administrativa solicitando a anulação total ou parcial da prova. O Inep tem o prazo de 48 horas para se pronunciar sobre o caso.
"Como se trata de um exame nacional não podemos aceitar que apenas os estudantes cearenses sejam prejudicados, tendo que refazer a prova", sustenta o procurador.

Oscar alega ter constatado que houve a existência de 13 questões idênticas, literalmente copiadas de um simulado elaborado e distribuído entre os alunos do Christus, em Fortaleza, e encontradas nas provas do Enem.

Alunos defendem o colégio das acusações
O Diário do Nordeste Online conversou com alguns alunos do colégio Christus para saber a opinião sobre as provas do Enem e o envolvimento do Christus.

"Estou bastante revoltado com as declarações sobre o colégio. Estudo no Christus desde pequeno e esse fato não condiz com o posicionamento da instituição. Recebemos o TD com algumas questões que estavam em banco de dados, mas o colégio não enfatizou nenhuma questão. Eu acredito no Christus. Se vierem a anular a prova vou me sentir bastante prejudicado, pois fiz uma excelente redação e para mim é a redação que decide, e não as 13 questões".

Cláudio Filho, Christus Anexo, Turma 5 do 3º ano


"O módulo adquirido pelo Colégio Christus também foi comprado por outros grandes colégios cearenses que também tiveram as questões publicadas na prova do Enem. O Christus possui profissionais capacitados para nos orientar nas melhores questões para a prova e não precisa dessas especulações. O livro com as questões foi distribuído sim, mas o colégio, em nenhum momento, enfatizou nenhuma questão. Eu, por exemplo, joguei o caderno. Se a prova vier a ser cancelada me sentirei bastante lesado, pois não sei se o nível da próxima prova será superior ou não".

André Câmara, Christus Anexo, Turma 5 do 3º ano

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