Universidade Islâmica em Estudo

Duas escolas de nível médio, das quais uma para formação técnico-profissional com a  capacidade para 1.500 alunos e um hospital para 300 camas serão construídas em Luanda, numa primeira fase, aguardando apenas pela cedência do espaço pelo Governo Provincial de Luanda, a quem foi solicitado o terreno para a edificação destes projectos.

Diakité Adama, responsável da comunidade  que revelou esta informação ao nosso jornal, explicou que a iniciativa enquadra-se nas boas relações que a comunidade mantém com o Governo de Angola, mesmo não sendo o Islão reconhecido como religião oficial pelas autoridades angolanas. Segundo o imamu (pastor), a COIA pretende com este gesto associar-se ao esforços do Executivo para a erradicação do analfabetismo.
“Esta é uma das formas que encontramos para  contribuirmos com o pouco que possuímos para o Governo de Angola, porque alguns de nós estamos aqui há mais de quinze anos, e formamos famílias com parceiras angolanas”, disse inicialmente, avançando que se o projecto for aceite será já implementado a partir de 2011 e que já tem o financiamento garantido pelo  Banco Islâmico da Arábia Saudita.

Segundo Diakité Adama, as autoridades Islâmicas sedeadas na Arábia Saudita aguardam somente pela aprovação do projecto, e logo disponibilizarão o dinheiro necessário para a concretização destes dois empreendimentos  na capital do país. “Nós não temos problemas de dinheiro, o que pretendemos é só mesmo a autorização das autoridades deste país”.

O líder espiritual da conhecida Mesquita do bairro dos Mártires do Kifangondo, em Luanda, a primeira construída há 18 anos, num universo de mais de 60 espalhadas por todo o país, com maior presença na região Leste, Lundas Norte, Sul, Moxico e na província meridional do Kuando Kubango, acredita no bom senso do Governo para que se efective este desiderato.

“Creio que teremos uma resposta satisfatória das autoridades, porque é um projecto muito ambicioso que vai, certamente, ajudar a sociedade angolana, que acabou de sair de uma guerra fratricida”, argumentando que o objectivo não é substituir o Governo, mas é tão somente contribuir neste país que os acolheu há anos.  Reforçou que é tradição do Islão associar-se aos projectos das comunidades, porque “ isto faz parte da nossa cultura religiosa e da nossa profissão de fé. Por isso, o gesto que pretendemos não deve ser entendido como uma intromissão no projecto da Reconstrução Nacional, mas uma parceria”, explicou.
Do Médio à Universidade
Embora as atenções estejam ainda viradas para a obtenção de um espaço para a construção dos projectos anunciados, o próximo passo que os muçulmanos residentes em Angola pretenderão dar será a construção de uma Universidade Islâmica, que em princípio, não estará vocacionada somente para o ensino da teologia desta religião, mas virada para  outras áreas do saber científico.

Se tudo correr bem, avançou Diakité Adama, a próxima aposta será essa, embora admita vir a encontrar eventuais barreiras da parte de alguma franja da sociedade civil, pelo facto de Angola ser um país tradicionalmente cristão. “Creio que esta intenção poderá encontrar barreiras, sendo este  país um Estado laico. Mas são ideias que pretendemos desenvolver num futuro próximo, mas, por enquanto, a prioridade é a escola e o hospital”.

Sem entrar em pormenores, uma vez concretizada este ideia, será o próprio Governo, através da Secretaria de Estado do Ensino Superior, a definir os cursos curriculares  da futura Universidade. Mas ainda assim, um curso dedicado aos estudos islâmicos não faltará, como é óbvio.

A expansão desta religião no nosso país, tem estado a levantar muitas inquietações aos cristãos, sobretudo clérigos católicos.

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