Imagens inéditas mostram ocupação e retirada de alunos da reitoria da USP

Imagens feitas pelas câmeras de segurança da Universidade de São Paulo (USP) mostram cerca de 70 estudantes que invadiram a reitoria no dia 1º com uma série de reivindicações, entre elas, a saída da Polícia Militar do campus da universidade. Outras imagens mostra a operação policial que os tirou dali na madrugada de segunda-feira (7). Em protesto à ação da polícia, uma parte minoritária dos estudantes da USP entrou em greve. A universidade que tem 88 mil alunos vai manter a PM no campus.

Na noite de 1º de novembro, às 23h55, um forte barulho indica algo errado na reitoria da Universidade de São Paulo (USP). Os guardas da universidade se apressam para proteger o prédio. Estudantes tentam arrombar a porta da garagem. Quando eles conseguem, os seguranças correm. Um dos vigias chama a polícia.

Os protestos começaram depois que a PM abordou três alunos que fumavam maconha no campus. A maioria entra com o rosto coberto e a primeira preocupação é impedir que as câmeras continuem gravando.

Um segurança aparece fugindo pelo corredor. Diz que ficou com medo. “Bastante. Nós já conhecemos um pouco da atitude deles”, revela. Cinco minutos depois da invasão, os seguranças deixam a reitoria. “Começaram a hostilizar a gente, mandando sair, alguns até agressivos”, conta.

Nenhum outro funcionário pode entrar no prédio. Os pais acompanhavam tudo à distância. “Nós tivemos dificuldade, porque o celular dele tinha acabado a bateria”, comentou o médico Moacyr Bustamente, pai de Fernando, de 27 anos, aluno da Faculdade de Letras e um dos participantes da ocupação. “A gente ficou com medo de que houvesse alguma reação mais forte, alguma reação mais radical que pudesse colocá-lo fisicamente em perigo”, acrescentou o médico.

A Justiça deu um prazo para a saída dos estudantes: 23h da noite da segunda-feira (7), mas eles não saíram e foram surpreendidos às 5h da manhã por 400 homens da tropa de choque da Polícia Militar. “Não poderia ter nenhum tipo de agressão, mesmo que psicológica. Foi determinado que não se usasse bomba nem bater nos escudos”, afirmou o comandante-geral da Polícia Militar de São Paulo, coronel Alvaro Camilo.

Imagens, também inéditas, feitas pela PM, revelam novos diálogos. “Para não ter problema de gritaria, vocês vão saber o que está acontecendo. Um a um, vocês vão ser revistados”, diz um policial aos alunos.

Ao todo, 72 pessoas foram levadas para a delegacia e soltas depois de pagar fiança. “Foi uma operação desproporcional em relação ao numero de estudantes que tinha”, criticou o estudante André Sarmento.

“Uma universidade sem liberdade não é universidade, é princípio. Isso precisa ficar claro”, afirmou a estudante Laura Dias.

Algumas das marcas da ocupação dos alunos à reitoria da instituição ainda estão nas paredes e nos vidros de todo o saguão principal, que foi onde eles acabaram dormindo e ficando por mais tempo. Por causa dessas pichações e por terem quebrado câmeras e outros objetos, os alunos podem ser processados por danos ao patrimônio.

“Não se trata realmente de um grupo estudantil. Mas é um grupo partidário, minoritário, radical e violento”, afirmou o reitor da USP, João Grandino Rodas.

ConflitoO estopim para a ocupação de 12 dias na USP aconteceu no dia 27 de outubro, quando a Polícia Militar, em um patrulhamento pelo campus da Cidade Universitária, deteve três alunos com maconha. Houve protesto e, no mesmo dia, os universitários ocuparam a sede administrativa da FFLCH. No dia 1 de novembro, em assembleia, os estudantes decidiram desocupar o prédio, mas um grupo dissidente invadiu a sede da reitoria.

No dia 3, a Justiça autorizou a reintegração de posse do prédio da reitoria e deu 24 horas para os alunos saírem do local. Caso não cumprissem a ordem, a juíza que concedeu a liminar em favor da USP autorizou, "como medida extrema”, o uso de força policial.

As principais reivindicações dos estudantes são a saída da PM do campus - o que implica acabar com o convênio firmado em setembro entre a corporação e a instituição para aumentar a segurança na Cidade Universitária-, e a revisão de processos administrativos e criminais abertos pela USP contra alunos e servidores.

Uma reunião com estudantes e representantes da universidade estabeleceu no dia 5 um prazo final para que os alunos deixassem a reitoria: 23h de segunda-feira (7). Na madrugada do dia 8, por volta de 5h, a PM cumpriu a reintegração de posse do prédio, em uma operação que contou com a Tropa de Choque e teve 72 jovens detidos. Após serem indiciados por dano ao patrimônio público e desobediência civil, eles foram liberados com o pagamento de fiança.

Ainda no dia 8, os estudantes decidiram fazer uma greve, que recebeu o apoio de professores e funcionários.

http://g1.globo.com/sao-paulo/noticia/2011/11/imagens-ineditas-mostram-ocupacao-e-retirada-de-alunos-da-reitoria-da-usp.html

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